segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Da Série Clássicos: "Blue Pop" - ADAM DANIEL!

Por Daniel Arêas

O amor e seus meandros é um tema recorrente no power pop. Não apenas em seus aspectos lúdicos, mas também no seu lado melancólico, amargo – idealmente, abordado com genuína emoção. E claro: ancorado em canções pop, as mais perfeitas quanto possível, a eterna busca inerente ao power pop. Atingido o ápice nesses dois quesitos (ou chegado bem perto disso), o que temos são aquelas obras que definitivamente marcam quem as ouve, que realmente fazem a diferença. É o caso do 8º. disco da Série Clássicos do Power Pop Station: Blue Pop, do cantor/compositor/músico/produtor americano Adam Daniel.

O envolvimento do americano de Santa Monica (Califórnia) Adam Daniel com a música começou bem cedo: aos seis anos de idade aprendeu a tocar piano, aos nove já se aventurava na guitarra. Exposto a doses maciças de pop clássico durante sua infância, através de seu pai (músico) e seu irmão mais velho, Adam se graduou na UCLA (University of California, Los Angeles) em 1995 e começou a gravar demos, que eventualmente lhe renderiam um contrato com a APG Records.

Na verdade Adam exerce várias atividades e sua biografia é um pouco mais extensa do que o espaço permite (quem quiser saber mais, ver comentários). Por ora, falemos de Blue Pop, seu álbum de estréia, lançado em 1999 e para o qual ele compôs todas as músicas, criou os arranjos, tocou praticamente todos os instrumentos (à exceção da bateria) e co-produziu. Já no seu primeiro disco, Adam alcançou um resultado que a grande maioria dos compositores leva a vida toda perseguindo – e não atinge.

Blue Pop é sobre os relacionamentos amorosos e seus vários aspectos. Em algumas músicas, Adam os celebra; em outras, ele os vê pela perspectiva da pessoa rejeitada; em outras, é ele quem dá o adeus. Para narrar essas histórias de amor e desamor (que, ele afirma, em sua maioria realmente aconteceram com ele) Adam se alterna com incrível facilidade entre o mais puro guitar pop e momentos mais introspectivos, quietos. Musicalmente, comparações podem ser feitas com alguns de seus contemporâneos da década de 90 (Michael Penn, Posies fase Dear 23, Elliott Smith, Fountains of Wayne, Steve Ward), mas seu diferencial é a comovente sinceridade e a emoção que ele imprime a essas treze simplesmente soberbas canções.

Se alguém um dia pedir para que você explique o que é um gancho musical, mostre a ele (a) “Breaking Up”, a sensacional faixa que abre Blue Pop. Um inacreditavelmente grudento riff de teclado prende o ouvinte instantaneamente à canção, cuja letra chega a ser cruel em suas palavras de despedida (I’ve got a lot of clothes that you’re never going to see me in/I’ll write a lot of songs that you’ll never get to hear me sing/and I told a couple lies and you’re never going to know which one). Em seguida, o balanço beatle de “Battle Song” parece celebrar a vida a dois (Hold me babydoll/And I held her/Say you’ll be my valentine/And I brought her hearts/And be my soldier boy/And I sent myself to war). Pausa nas guitarras para a suave “Lovebug”, na qual a bela voz de Adam é acompanhada por teclados, delicadas harmonias vocais e uma discreta pedal esteel guitar.

Vem a alegria rocker de “Her Shake” e tudo parece estar bem (She makes good sense/She says “Say what you want to say/Do what you want to do/Go where you wanna go, just take me there”). Em seguida (e em contraste), uma daquelas faixas às quais é virtualmente impossível se ficar alheio: em contraposição à ironia de “Breaking Up”, em “Why I Can’t Be Beside You” Adam anuncia o fim em tom solene, quase épico, iniciando apenas com voz e violão e encerrando com teclados e camadas de guitarras. É mesmo difícil apontar os grandes momentos de Blue Pop (porque só há grandes momentos), mas não os mais emocionantes – e este é um deles.

A contagiante batida de “Guess I Got A Girl” nos remete ao pop clássico sessentista e é acompanhada por uma cativantemente quase ingênua letra, de tão feliz (I guess I got a girl/And she likes to call me “boy” and I want/To be with her forever/She’s like a pill and I need to have it every day). Mas a proposta de Adam é contrapor o ganho e a perda, a alegria e a dor. Em “You Wrecked Me” – outro momento de arrepiar – apenas um violão acompanha sua voz quase sussurrante, enquanto ele discorre sobre a perda da pessoa amada. Aqui ele prova ser um compositor do mesmo calibre de gênios como Elliott Smith e Chris Bell. E por fim, a calma “Say Goodbye” fecha Blue Pop, no mesmo clima bittersweet que permeia o disco inteiro.

Qualquer lista com os melhores álbuns de guitar pop dos anos 90 que se pretenda séria precisa incluir Blue Pop. Seu título pode sugerir que trata-se de um disco essencialmente triste, mas não é o caso. Adam Daniel toca sim, em certos pontos difíceis dos romances, mas usa a linguagem do pop para fazê-lo. Blue Pop tem grande potencial para nos comover – possivelmente até arrancar algumas lágrimas – mas o que temos quando terminamos de ouvi-lo é uma enorme sensação de prazer e bem-estar. Ele nos deixa com um sorriso no rosto. E prontos, claro, para novas audições.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Power Pop - The Early Years: ARTFUL DODGER! (Parte 2)

Por Daniel Arêas
 
Honor Among Thieves (1976), o segundo disco do Artful Dodger, igualmente como seu predecessor (lançado no ano anterior) recebeu muitos elogios da crítica, e hoje provoca a mesma perplexidade: por que, afinal de contas, não estourou? As possíveis razões – levantadas pelos próprios membros da banda, em retrospectiva – vão desde a troca do produtor (embora Jack Douglas – produtor do primeiro álbum - curiosamente tivesse recebido os créditos, quem realmente produziu Honor Among Thieves foi Eddie Leonetti) até equivocadas decisões na condução da carreira da banda (como embarcar em uma turnê com o Kiss, tocando em grandes arenas, ao invés de ganhar experiência tocando em locais menores).

Um fato que não suscitava dúvidas, porém, é o de que Honor Among Thieves expandia todos os conceitos que o disco de estréia trazia, e efetivamente o superava. Das power ballads “Scream” e “Dandelion” (esta composta e cantada por Gary Cox) até canções que beiravam o hard rock como a faixa-título, “Keep Me Happy” e “Hey Boys”, passando por uma incendiária cover de “Keep A-Knockin’”, Honor Among Thieves era o retrato de uma banda em plena evolução de sua proposta musical.

Evolução esta que seria bruscamente interrompida no disco seguinte. Àquela altura a banda fazia desgastantes turnês, sem a contrapartida do sucesso comercial (embora tivesse alcançado uma pequena audiência, basicamente concentrada em Cleveland). A prolífica parceria entre Paliselli e Herrewig parecia pouco inspirada naquele momento e várias canções que Cox escreveu - sem a intenção de incluí-las no repertório do Artful Dodger – foram aproveitadas.

Além disso, a CBS começou a privilegiar as canções de Cox (inclusive encorajando-o a tentar uma carreira solo, sem o conhecimento dos demais membros), piorando ainda mais o clima dentro da banda. O resultado disso tudo – Babes on Broadway, lançado em 1977 – não chegava a ser ruim, mas não havia nele nem sombra da força e coesão dos dois discos anteriores. Poderia mesmo ter sido o fim (melancólico) da trajetória do Artful Dodger, que se viu sem gravadora, sem empresários para cuidar de sua carreira e sem Gary Cox, que decidiu deixar a banda.

Mas esse não era o fim da história. Depois de um hiato de três anos, o Artful Dodger se reagrupou para uma última tentativa, com o pianista/guitarrista Peter Bonta ocupando o posto deixado por Cox. Assinaram com a Ariola Records para em 1980 lançarem o disco de suas vidas. Do princípio ao fim, Rave On leva a um nível muito próximo da perfeição a fórmula da banda: ganchudas, irresistíveis canções pop, tocadas com o máximo de garra e intensidade. Mais do que um disco, soa como uma afirmação da convicção que a banda tinha de si própria e do som que fazia. Se os dois primeiros discos eram excelentes, Rave On é a obra-prima do Artful Dodger.

Uma vez mais, a ótima recepção do disco pela crítica contrastou com a indiferença do público, e a banda decidiu se separar. Mas esse ainda não é o fim da história – felizmente.

A história do Artful Dodger continua da mesma forma que a de várias outras bandas power pop da sua época: através do interesse das novas gerações. De 1991 para cá a banda fez vários shows de reunião em Cleveland. O selo Pendulum Entertainment Group (via Sony Music) relançou os dois primeiros discos em CD em 1997. Há um excelente site dedicado à banda (o link está nos comentários) de onde saiu a maior parte das informações contidas nessa biografia. Rave On foi incluído na lista Shake Some Action de John Borack. O reconhecimento veio, enfim. Nada mais justo para uma banda como o Artful Dodger. Para além de “apenas” uma das maiores bandas power pop de todos os tempos – uma excepcional banda de rock n’roll.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Power Pop: The Early Years - ARTFUL DODGER! (PARTE 1)

Por Daniel Arêas

Se a definição mais concisa e direta para o power pop é a de que nasce da junção das melodias mais pegajosas com a energia primal do rock, então poucas bandas o fizeram com tanto talento, energia e vigor quanto o Artful Dodger. Infelizmente, como no caso da grande maioria de seus pares, para a banda americana também acabou prevalecendo a regra de que fazer o power pop perfeito durante os anos 70 trazia em si o ônus de ser virtualmente ignorado por uma audiência aparentemente desinteressada naquela reinvenção dos clássicos sons da British Invasion (para não mencionar algumas decisões equivocadas daqueles que cuidavam de sua carreira).

O Artful Dodger – formado em Fairfax, Virginia em 1973 por Billy Paliselli (vocais), Gary Herrewig (guitarra), Gary Cox (guitarra e vocais), Steve Cooper (baixo) e Steve Brigida (bateria) – possuía uma rara facilidade para produzir canções pop em série, mas executava-as com a alma e a paixão que o rock pede (tanto em estúdio como em shows); fundia a onipresente influência dos Beatles e o power pop dos Raspberries com o hard rock dos Faces, Rolling Stones e The Who. Dito desta forma, a alquimia soa perfeita; e foi de fato perfeita, em três dos quatro discos de sua curta carreira.

Originalmente utilizando o nome Brat, a banda lançou seu primeiro single (auto-produzido), “Not Quite Right”, tendo como B-side “Long Time Away” (que seria posteriormente regravada para o primeiro disco). Munido de uma demo tape, David Cox rumou para Nova York e conseguiu convencer Steve Laber e David Krebs (que à época tinham em seu cast nomes como Aerosmith e New York Dolls) a cuidar da carreira da banda. Pouco depois um contrato era assinado com a Columbia Records e a banda, rebatizada como Artful Dodger, lançava seu primeiro disco, homônimo, em setembro de 1975.

O termo “clássico perdido” é quase um lugar comum quando nos referimos ao power pop dos anos 70, tamanha é a quantidade de grandes discos que permaneceram na obscuridade na época de seus lançamentos, mas poucos discos se encaixam tão bem na definição quanto Artful Dodger . Produzido por Jack Douglas (famoso por seu trabalho em Toys In The Attic do Aerosmith, entre outros), é uma coleção de soberbas canções, irresistivelmente melódicas (porém executadas com o máximo de energia e intensidade), baseadas em fortes ganchos. Presente em algumas coletâneas de bandas power pop, “Wayside” tornou-se a canção mais conhecida, mas há vários outros esplêndidos momentos no álbum, como “You Know It’s Allright”, “Follow Me”, “Think Think” e “Things I’d Like To Do Again”.

Um erro estratégico da Columbia Records, porém, começaria a selar o destino da banda. A faixa escolhida pela gravadora para ser o primeiro single foi “Silver & Gold”, uma balada assinada por Cox. Essa equivocada decisão contribuiu para que o disco tivesse vendagens decepcionantes, além de gerar certa animosidade no núcleo da banda (embora Cox escrevesse canções, a maior parte do repertório do Artful Dodger nascia da parceria entre Paliselli e Herrewig). Mas isso não afetou a produção da banda, como ficaria comprovado com o lançamento de Honor Among Thieves, em 1976.



terça-feira, 4 de maio de 2010

"Ragged But Right": MEMPHIS 59!

Eles são muito modernos para o country. Eles são muito tradicionais para o rock. Eles são pop, mas não necessariamente comerciais. Mas não duvide do seu potencial radiofônico ou apelo popular. ‘Americana’ e ‘alt.country’ são rótulos deveras cool para o Chevrolet enferrujado que estampa a capa de Ragged But Right. O Memphis 59 trafega com sua velha caminhonete laranja pela fronteira de estilos tão díspares como complementares, de sua pequena Arlington natal para o mundo.

Em seu álbum de estreia o trio Scott Kurt, Chris Zogby e Richard G. Lewis poderia ser Paul Westerberg tocando Tom Petty ou o Jayhawks interpretando o Whiskeytown. Mas, de certa forma, o vocal característico de Kurt coloca as coisas no lugar: estamos falando do Memphis 59. E “Me Myself And Eyes”, canção que abre Ragged But Right, logo se apresenta com seu riff de guitarra que consegue remeter ao country com trejeito rock e acento pop. “Black & White TV” ataca com um refrão ganchudo e “Knock Me Out” usa dos serviços uma slide guitar para realçar o clima de raiz.

A envolvente “Girl At The End Of the Bar” coloca chapéu de cowboy e esporas no power pop, enquanto “Hotel Room” tem a missão de decalcar mais um refrão adesivo no cérebro do ouvinte. A bela e cativante “Putting Up A Fight” antecede o sabor clássico de “Quit Kickin My Heart Around” e “Heartbreak Luck”.
Ragged But Right vai do country ao pop como de Arlington a Nova Iorque: porque dá pra ir esvaziando umas Budweiser, em pouco mais de 300 km de distância, entre a pequena cidade na Virginia e o centro do mundo.

www.memphis59.com
www.myspace.com/memphis59band1

segunda-feira, 26 de abril de 2010

"The Curtain Shop And Alterations": THE RIFFBACKERS!

“Agora é tempo de recomeçar”. A frase que abre The Curtain Shop And Alterations pode parecer genérica se colocada fora de contexto. Mas aqui ela vem carregada de sentido e simbolismo para Fausto Martin e Nacho Garcia. Os espanhóis estiveram no The Winnerys, cujo fim precoce surpreendeu o mundo do power pop e deixou suas viúvas pelo mundo. E o recomeço veio cedo para Martin, que menos de um mês do fim de seu antigo grupo já compunha novas canções.

O sentido de clássico que já permeava a sonoridade do Winnerys permanece no Riffbakers – e as letras em inglês, idem -, mas sob um novo viés. Se antes o foco era o beat sessentista, calcado principalmente nos Beatles, agora fica cristalina a influência setentista no som dos madrilenhos, com referências a The Who, Raspberries, Nick Lowe ou Cheap Trick. Grupos oitentistas também ecoam em The Curtain Shop, como The Knack, Paul Collin’s Beat ou Rockpile.

Lançado de forma independente pelo próprio selo, o Rainbow Lane Records, e gravado no estúdio móvel de Fausto, o álbum surpreende pela boa produção. As guitarras ganham o peso e agressividade quando o rock precisa falar mais alto; as harmonias vocais são leves e doces quando têm de voar sobre o instrumental. Mas se a inspiração para o nome do grupo surgiu de uma Rickenbaker reluzente, o cuidado no entalhe de canções não poderia ser surpresa.

“Não espere por isso, mas as coisas podem mudar”. É a segunda frase de The Curtain Shop And Alterations, já anunciando os novos horizontes pretendidos por Fausto e Nacho com o The Riffbakers pós-The Winnerys. E eis que surge o riff invocado de “Now It’s Fine” injetando adrenalina e pacificando expectativas com a batida envolvente. O forte piano se une ao brilhante dedilhado de guitarra na climática, à la Raspberries, “Do It Again”. Já a batida ‘countryada’ e empolgante de “You’d Do Anything” ainda recebe tratamento especial de um órgão onipresente.

Melódica, ganchuda e energética, a incrível “Sometimes” antecede a ritmada de refrão adesivo “Step By Step”. As reminiscências da infância de Martin aparecem na power-ballad-psicodélica “Rainbow Lane” e, a pegada rocker, domina na irônica e ácida “Stupid Rock Stars Dream”. “Under My Spell” se apresenta macia e animada, em ambiência acústica ao melhor estilo Paul McCartney – não à toa o baixo aqui é um Hofner.

A canção-título soa clássica e vigorosa enquanto a balada acústica “After All These Years” acaricia os ouvidos, como costumava bem fazer o velho Macca. O rock’n’roll “Make Youself At Home” fecha o disco com solo de guitarra cortesia de Otavio Vinck
E se era o passado de Fausto Martin e Nacho Garcia que forçava as altas expectativas, agora é o futuro que se abre aos Riffbackers, porque, neste recomeço, as coisas certamente já mudaram.

http://www.myspace.com/theriffbackers

segunda-feira, 19 de abril de 2010

"Sparks On The Tarmac": D. ROGERS!

Talvez o som descompassado, rápido e solitário da chuva encontrando os vidros da janela nos traga de volta para nós mesmos. Talvez a paisagem enegrecida por nuvens baixas e carregadas de reflexões nos deixe sensivelmente disponíveis a nos perguntar: é isso que queremos? Talvez as lágrimas que despencam dos céus em torrentes impiedosas nos encolha no escuro aconchego do quarto. Ou nos descubra dispostos a dar mais um passo em direção ao brilho reconfortante do sol.

Talvez o som compassado, lento e bonito de Sparks On The Tarmac nos encontrando, diga mais sobre nossos desejos e sofrimentos – porque são essas as canções que queremos. São essas as canções que o cantor-compositor e produtor australiano D. Rogers talhou para nosso deleite em seu terceiro álbum. Folk pop preparado com extrema sensibilidade e amparado por uma profusão de instrumentos, em arranjos que embelezam a simplicidade das canções.

“Poison Pen” abre o disco em clima de reflexão, sobre a base acústica de violões e alguns interlúdios com vibrafones e teclados que soam como flautas. A ambiência delicada de “Worst Of Your Mind” recebe o adorno generoso de violinos e “To England” remete às singelas canções de Paul McCartney nos Beatles, com seu macio dedilhado e a leve batida na caixa sem esteira. A bela e triste “First To Know” tem os clarinetes de Adrian Whitehead, enquanto a linda melodia de “Firing Line” é afagada com carinho pelos violinos de Fi Claus.

A adorável “Knocked Down The House” explora a veia pop de Rogers e simula jogos de metais; já “Away From The Microphones” anima o ambiente com um country pop contagiante. Fecha o álbum, durando pouco mais de um minuto, a belíssima e emotiva ‘voz-e-violão’ “How Unfortunate...”. Tempo suficiente para descobrirmos que, enquanto olhávamos para dentro, lá fora o sol pintou o céu novamente de azul.

www.drogers.com.au
www.myspace.com/drogersmusic

quarta-feira, 7 de abril de 2010

"Identity Theft": BABY SCREAM!

O subir e descer constante de aeronaves designadas apenas por números a cumprir horários não pode contar as histórias de quem elas transportam. Destinos que se cruzam em segundos e desaparecem em rumos desconhecidos nos corredores imensos de qualquer aeroporto internacional. E é entre Buenos Aires, Los Angeles, Londres – ou mesmo Dortmund – que o argentino Juan Pablo Mazzola conta as suas histórias e registra seus caminhos e descaminhos em inspiradas canções sob o nome Baby Scream.

Depois do sensacional álbum de 2008 Ups and Downs, Mazzola retorna com este EP gravado entre Los Angeles e Buenos Aires, abordando climas menos ensolarados que no seu antecessor. Talvez fosse hora de olhar para dentro e saber que as idas e vindas anônimas podem interessar a muita gente. E aqui, de alguma forma, a aproximação de Juan com seu ídolo John Lennon apareceu mais cristalina. Identity Theft traz sete faixas em pouco mais de 17 minutos.

A acústica e reflexiva “Be” abre o disco com os vocais doces porém doídos de Juan, com sintetizador e os backings vocals cúmplices de Muddy Stardust. Levada de valsa para “Dead Woman Walking”, onde Mazzola pode falar de si no timbre de Lennon. A bela e triste “Nicole” equaliza percussão e os teclados para o tom confessional fluir sereno. “Memories” traz um mandolin que parece duelar com um som de cítara simulado, levados pela linha do baixo marcante de Stardust.

A rascante “Underground Blues” distorce a voz de Juan Pablo e não dura sequer um minuto e meio. A tropical e macia “Ojos Orientales” é composição do argentino Rinaldo Rafanelli – que aqui aparece manejando baixo, guitarra doze cordas e backing vocals. Fecha o mini-álbum a versão para “Mucho Mungo/Mt. Elga”, parceria de John Lennon e Harry Nilsson. Não importa se as canções de Juan Pablo Mazzola nascem em frios saguões de aeroportos ou sobre retalhos verdes de alguma nação a 10 mil metros de altura. Elas sempre vão nos levar pra algum lugar íntimo e muito, muito familiar.

www.babyscream.com
www.myspace.com/babyscream