terça-feira, 29 de maio de 2007

Entrevista exclusiva: Adolfo García, líder da maior banda power pop da Espanha - FEEDBACKS!


Quase 12 anos de estrada, cinco álbuns no currículo e a evolução do punk pop para o power pop. Com Sunday Morning Record os Feedbacks (Adolfo García - voz e guitarras, Carlos García - baixo e vocais, Javi Cimadevilla - guitarras e Pablo González - bateria e vocais) atingem a maturidade musical e o posto de principal banda power pop da Espanha.
Canções lapidadas para alcançar a perfeição pop, refrões harmônicos, guitarras saturadas, ambiente sixtie, melodias colantes. Do power pop clássico de guitarras faiscantes ao pop orquestral de pianos e vibrafones.
Tudo isso em Sunday Morning Record , disco fruto da evolução natural do quarteto, como nos conta com exclusividade direto das Astúrias (Espanha) o líder dos Feedbacks Adolfo García.

Power Pop Station: Conte-nos um pouco sobre a trajetória dos Feedbacks.

Adolfo García: Um pouco do espírito da banda continua sendo o mesmo de quando começamos, amigos que se reúnem, como fãs de pop, para homenagear seus heróis favoritos. E é curioso que, com o tempo, tenhamos nos transformando em músicos, que o grupo siga vivo depois de quase 12 anos, com cinco discos nas costas... é quase um milagre. Fazemos o que temos vontade em todos os sentidos e é essa liberdade que te permite ir tocar em algum lugar perdendo dinheiro, mas sabendo que as pessoas te valorizam. É essa liberdade que te permite seguir uma linha coerente, não fazer concessões, vender pouco discos mas tocar em um festival cool. A guerra está perdida, mas algumas batalhas nós vencemos.

PPS: Quais suas principais influências do passado e presente?

García: Somos todos fãs de música pop em geral, as influências são muitas e muito variadas: das bandas clássicas, Ramones, Beatles, Beach Boys, Big Star ou Raspberries; das atuais, Fountains of Wayne, Teenage Fanclub, Wilco ou Weezer, para dar alguns exemplos.

PPS: Por que o power pop é tão forte na Espanha (se comparado ao Brasil, por exemplo). E em quais grupos espanhóis devemos prestar atenção?

García: A verdade é que aqui o power pop também não é muito forte. Temos sim a sorte de a pouca gente que gosta ser verdadeiramente apaixonada, são poucos fãs mas muito, muito fiéis. E graças a resposta dessa gente, a maioria amigos, seguimos fazendo música, porque o apoio da mídia, festivais, etc, é nulo, e salvo raras exceções, parece que o power pop nunca vai estar na moda, como já aconteceu com o garage o punk, o noise, a americana. Um gênero que engloba tanta variedade (acredito que tem um pouco de tudo) e a priori tão acessível a qualquer ouvido, não há possibilidade que um dia chegue sua hora. Mas ainda assim, as pessoas que estão por trás do power pop na Espanha fazem acontecer, coletivos como o Alta Tensión em Valencia organizando concertos, selos como a Rock Indiana, para dar alguns exemplos; ou sites como o Power Pop Action! etc, se encarregam de colocar um monte de amigos em contato, que agora, mais que nunca, estão apostando nisso, compartilhando sensações. Outra coisa é que por fim acabe alcançando a mais gente... mas, esperamos que sim.
Gosto muito de quase todo power pop que se faz na Espanha (mesmo que não sejam muitos os discos de power pop lançados) com gente como Bubblegum, que é minha banda preferida, ou mais recentemente Runarounds, que fizeram um baita disco.

PPS: Quando ouvi os primeiros discos do Feedbacks, algumas músicas me lembraram muito os Parasites (banda americana de punk-pop-bubblegum dos anos 90). Agora, quando ouvi o Sunday Morning Record, nem sequer sei quem são os Parasites... Fale-nos sobre a evolução do grupo nesse último trabalho.

García: Foi uma evolução natural. Quando começamos, punk pop era o que nossa vontade pedia, assim que os primeiros discos soam muito frescos e diretos, e certamente os Parasites e os Ramones eram nossas principais influências. O terceiro disco, Nothing A Little Pop Won’t Cure, marca um pouco a direção dos dois seguintes, mais variado e alcançando outros estilos, certamente com foco nas canções - tentamos sempre fazer a canção pop perfeita. No disco anterior (o quarto) My Own Revolution, ficamos muito contentes porque alcançou todas as expectativas que tínhamos colocado antes de gravar, fizemos com a emoção de quem grava o seu primeiro disco e essa paixão transparece no que por fim resultou o Sunday Morning Record. Essa é uma opinião unânime de toda a banda. Nesse último disco tem-se um pouco mais do íntimo de cada um dos compositores que agora são três com o Pibli, o novo baterista que se encaixou como uma luva. Além do que, as letras não são simples apoios a uma canção pop, ainda que no disco anterior já havíamos cuidado delas mais do que o habitual. Acho que cada canção reflete fielmente a sensação que queríamos dar quando o disco estava apenas nas nossas cabeças.

PPS: Conheço muitos power poppers na Espanha – incluindo jornalistas, críticos e radialistas – e todos me disseram: “Os Feedbakcs são o melhor grupo power pop que temos”. O que você acha disso?

García: Bom, é uma grande honra que as pessoas pensem isso. Te digo que a sensação que transmitimos às pessoas cujo bom gosto respeitamos é mesma que nos anima a seguir em frente, aqui incluo desde jornalistas ou críticos ou qualquer pessoa que ame o pop de guitarras.

PPS: Uma mensagem aos brasileiros:

García: Um forte abraço para todas as pessoas no Brasil que são apaixonadas pelas boas canções pop! Apóiem suas bandas! Volver, Impar, etc, são sensacionais!!!


www.myspace.com/feedbacks

Um comentário:

guilherme mattoso disse...

opa! queremos ser intrevistados tb! visite o site do abaixo de zero (www.abaixodezero.net) e confira nossas músicas! somos amigos dos radiotapes!
abs,
mattoso.