quinta-feira, 5 de junho de 2008

"How Will I Know If I'm Awake": BRENT CASH!

O que te faz sorrir? Para quem vão tuas preces? Qual o seu conceito de divino? E que tipos de sensações podem alterar o estado da sua mente? Muitas podem ser as respostas, mas aqui, tudo pode convergir... Certos sons têm o poder de nos elevar a experiências sensoriais indescritíveis – e contraditórias. Porque, ao mesmo tempo que você se sente entorpecido como num sonho, percebe que... está vivo! Assim, faz muito sentido um disco cujo título se pergunta – absolutamente lúcido sob uma cortina de fumaça onírica: “como saberei se estou acordado?” - já que seu conteúdo sonoro te leva a uma luminosidade cristalina, uma paz absoluta que derruba o ritmo metabólico e aguça a nitidez das percepções.

How Will I Know If I’m Awake é o debute do americano de Athens Brent Cash. Compositor e multiinstrumentista, Cash convocou mais de 20 pessoas, uma verdadeira orquestra, para criar com perfeição e maestria os climas emocionais da obra. Do sunshine pop à bossa nova, de Beatles a Burt Bacharach, todos os elementos para alcançar o bem-estar musical estão aqui. Todas as sensibilidades podem ser estimuladas.

Uma pequena-imensa pérola pop, que inicia o disco dizendo “ei, isto é o paraíso.../ agora as portas foram abertas”, não pode ser por acaso. Melodia de sonho, com arranjos orquestrais impecáveis adornados pela voz angelical de Cash em “Everything That’s Grey”. Agora o céu realmente parece ao alcance das mãos... O sol irradia luz mil vezes mais potente no sunshine pop “Digging The Fault Line” – pianos pontuando em profusão, órgãos voando e harmonias vocais onipresentes. “I Think I’m Falling In Love” viaja em harpas e vibrafones entorpecentes até a energética e macia “Only Time” mesclar a batida bossa nova com metais invocados e uma levada pop contagiante – sem esquecer as harmonizações de voz cheias de ‘pa-pa-pas’.

Brent Cash não esconde que as origens da sua inspiração vêm de sonoridades criadas há mais de três décadas, e impressiona na coesão e harmonia que consegue amarrar em um disco de estréia. Orgulha ver um contemporâneo capaz de nos entregar essas melodias atemporais com tanta beleza e proficiência. Seja em “And Had We Ever...”, “When The World Stops Turning” ou “Love Is Burning Down Tonight”. Texturas e instrumentos se harmonizam na batida ensolarada e convidativa de “Good Morning Sunshine”, enquanto a paixão de Cash pela bossa nova transparece e soa como clara homenagem e referência em “This Sea, These Waves” (onde ele corajosamente arrisca alguns versos em um português ininteligível). Fecha o álbum a bela balada baseada no piano e na emotividade da voz aveludada de Brent “More Than Everything”.

Mas, e afinal de contas, estávamos acordados ou não?

www.brentcash.net
www.myspace.com/brentcashmusic

Um comentário:

dbareas disse...

Ainda que (de novo) tardiamente, não posso deixar de comentar: disco deslumbrante. De uma sofisticação e riqueza (pelos arranjos)raros. Ao menos (se eu entendi bem o que li no MySpace), não passará despercebido, pelas várias críticas positivas.