segunda-feira, 18 de agosto de 2008

"Backward Forever": ANY VERSION OF ME!

Ele não tem disco lançado fisicamente. Não é americano nem britânico. Nem ao menos se apresenta com um nome formal – seu nome é uma frase. Mas deixa claro que qualquer versão dele mesmo serve. Para despertar a sua sensacional capacidade em manejar as sonoridades sixties, como se fosse um mestre da época. Melodias inspiradoras, harmonizações vocais celestiais, canções de beleza clássica e atemporal.

Any Version Of Me é o francês de Paris Guillaume, que lançou Backward Forever apenas em formato digital – e alcançou o posto número 56 no Top 100 Albums do iTunes da França.. São dez canções com os melhores ensinamentos de Beatles e Beach Boys plenamente internalizados. Instrumentos vintage e timbragens sessentistas para nos lembrar que não se trata de revivalismo, mas de um estilo eternizado e adorado por gerações após gerações, e que permanece impávido e imune a modas e hypes. E claro, fazendo nossos dias melhores.

“The Good Old Days” abre o disco e não precisa necessariamente nos jogar no saudosismo que o título sugere. Já que a canção é tão contemporânea quanto um bebê de um ano, não importando se remete a sonoridades passadas. Não podemos sentir saudades do que não vivemos – não pelo menos se as algumas das melhores coisas podem ser reproduzidas, aqui e agora. É o piano que pontua suave, a voz de Guillaume que acaricia os ouvidos na melodia doce da canção. Segue a balada reflexiva impregnada de sentido pop “More”, que antecede a belíssima e triste canção ao piano “Tonight”, cheia de acordes na melhor tradição Beatles/Paul McCartney.

Seguindo a linha do pop orquestral, “I’m Not Such a Lover” traz refrão memorável. A batida e melodia irresistíveis de “Mrs. Alpert” poderiam estar tranqüilamente no álbum branco dos fab four. Mais uma levada ao piano – na verdade uma constante no álbum – no andamento de valsa da singela e emocional “If You Let Him Down”. A acústica “Wait” vai macia no violão ladeado pelo órgão sutil e com harmonias vocais à la Simon & Garfunkel.

A animada “Something’s Gonna Happen” faria parte, com mérito, do arsenal de canções da British Invasion, enquanto a magistral e emotiva “Take Some Time”, soa como uma parceria eterna entre George Harrison e John Lennon. “All I Will Keep from You” recheada de inspiração luminosa de Brian Wilson e Beach Boys fecha o álbum digital. Backward Forever é uma “antiguidade moderna” que, se ainda não está registrada em versão física, já está impressa na nossa afetiva coleção de clássicos álbuns.

www.myspace.com/anyversionofme
www.virb.com/anyversionofme

4 comentários:

dbareas disse...

Cara...o que dizer?
Imagino que às vezes se depare com uma particular dificuldade: eu estou apenas comentando os discos - e nem são todos - e os adjetivos já estão me faltando.

Gênio esse cara...um Elliott Smith reencarnado. Vou dar de presente pra minha mãe, meu irmão. De emocionar :)

Se existe Paraíso, só pode tocar discos assim.

Vai na linha do que vc disse na resenha, e é a mesma sensação que eu tive ao ouvir o The Tunes (já está virtualmente pronto, últimos ajustes aqui e ali !! Por favor aguarde, sou marinheiro de primeira viagem, entenda): é daqueles discos que tem a capacidade de mudar o seu humor, o seu espírito, em apenas meia-hora.

Só posso te agradecer por ter me feito ouvir esse disco, o mais bonito que eu ouvi em 2008.

Paolo Miléa disse...

Sabia que vc ia gostar...
Sim, é verdade, escrever sobre bandas que seguem os mesmos caminhos requer criatividade pra vc não repetir os mesmos adjetivos, as mesmas referências e imagens mentais o tempo todo. Isso dá trabalho!

dbareas disse...

Preciso dizer (ainda q atrasado): "Tonight" até aqui é a música mais bonita do ano.

Claudio Ferro disse...

Esse álbum é perfeito. Belíssimo.
E está descrito com riqueza de detalhes. Parabéns.