
Passada a pequena “Intro/Normal People”, que abre o disco, entra uma das melhores canções pop do ano: “The Present, Tense”. Que não precisa de manifestos, ironias ou que o valha para se defender. Recheada de pianos e teclados, chocalhos sutis e batida esperta (com mudança de timbre na caixa nas passagens decisivas), a música tem refrão duplo de vocais perfeitos e melodia adesiva. E nos remete imediatamente ao artigo cinco – com uma passada rápida no primeiro, onde estão Lennon e McCartney. Segue a “bacharacheana” “What Just Happened?”, em um cativante pop orquestral até a entrada “The Wishful Thinker”, simples na sua constituição pop e rica nos detalhes dos arranjos.
E é isso que impressiona: a capacidade do duo de como ser criativo, usar variados instrumentos, e ainda soar simples e extremamente pop. A genialidade passou por aqui. Assim como conseguem ser emocionais na balada “The Worst News In The World” sem deixar de colar a melodia no cérebro do ouvinte. Mais um refrão memorável vem em “The Girl Behind The Bar”. Já o clima de sonho fica por conta da belíssima, e imersa em violões e teclados, “Sidetracked”. “Love And Uncertainty” engana no começo com um teclado despretensioso para explodir no refrão pop perfeito, talhado para as ondas do rádio.
Descendo (ou subindo) Esque, faixa a faixa, vai ficando cada vez mais cristalina a impressão de ser um dos melhores álbuns do ano. Pipitone e Batchelder ensinam como lapidar gemas pop com esmero, utilizando a arte dos grandes mestres do passado sem abrir mão de vasto instrumental. Como na magnífica “Without You, I’m Something” onde a frase da dupla que diz “nós tínhamos acordes, e não tivemos medo de usá-los” fica plenamente justificada. Encerra o disco - com harmonizações vocais celestiais e progressões melódicas envolventes - “I Through It Over”. (Não) estava escrito: Esque é o poder do pop a serviço da inteligência e a mercê da emoção.
www.theripoffartists.com
www.myspace.com/374233574
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