quarta-feira, 2 de abril de 2008

"Fifth": JUNEBUG!

É de se admirar – e às vezes invejar – quando um artista ou músico consegue sobreviver da sua arte do seu trabalho, fruto do reconhecimento popular. Mas de um tempo pra cá, passei a admirar muito mais aqueles que pouco ganham, ou não ganham, em termos de dinheiro e assim mesmo, perseveram. Continuam fiéis à arte em que acreditam e, se não chega o reconhecimento geral, paciência. E é assim, com sinceridade e pureza de sentimentos, que nos chegam as canções mais tocantes do planeta, as mais empolgantes e que, geralmente, não rendem um tostão aos seus autores. Não sei o quanto os britânicos de Abergele, Junebug, recebem em retribuição às suas músicas, mas garanto que não é por isso que eles estão nisso.

Os irmãos Latham – Ralph, na guitarra e vocais e Guy, no baixo e teclados – mais o baterista Warren Gilbert, seguem a tradição de titular os álbuns de acordo com a ordem de lançamento: este é o quinto, logo, Fifth. Que traz a doçura melódica em espetadas elétricas, como sempre. A despeito de alguns críticos, que ligam o som do Junebug a um cruzamento de Ramones com Beach Boys, acho muito mais próximo da realidade uma mescla – talvez a mescla perfeita – de Bronco Bullfrog com Teenage Fanclub.

Para a abrir a coleção de 14 faixas de Fifth, escolheram a cadenciada e quebrada “Shake Your Head”, sugerindo um pequena trip psicodélica nas intervenções do teclado. O tom melancólico de “The Master Only Seeks To Gain” não tira da canção a candidatura a refrão mais bonito do ano. A batida da intro de “Nothing To Do,” parece homenagear aos Ramones, e a corrente vinda daí eletrifica toda a música, que por mais nervosinha que seja, não consegue tirar a suavidade da voz de Ralph. Fãs de Teenage Fanclub vão se arrepiar com a melodias gentis, os timbres vocais e a maciez de “Voice In The Sky”, “I.D.M.T.” e “Stop Complaining”.

Por vezes o teclado de Guy soa quase como uma flauta doce, como na acetinada “The Best Of Me”. Ou faz a cama com sons de órgão vintage para refrões pop perfeitos como o de “No Solution”. “The Broken Line” e “Man On The Move” americanizam o som e animam a festa com seu country pop. Mantendo o clima “up”, “Falling For You” traz refrão pra todo mundo cantar junto. E aqui a saudade do Bronco Bullfrog bate forte: guitarras assanhadas, melodia empolgante e mais um refrão candidato e melhor do ano em “A Very Bad Thing”.

Canção atrás de canção e chega aquele sentimento de que mais gente precisaria ouvi-las... mais gente teria direito a fazer seu dia melhor, nem que seja por um instante. Ou pelo menos enquanto o Junebug ocupar uns minutos da sua atenção e parecer brilhar tão alto quanto o sol – como, por exemplo, em “The Light Of Love”. Em “The Last To Know”, que encerra o disco, você vai se perguntar como não conheceu antes essa banda... e ficar com a certeza de que nada mais importa ao Junebug, se não emocionar pela sua arte.

www.junebug.co.uk
www.myspace.com/junebugtheband

2 comentários:

ana disse...

quero baixar :)
tem link no rapidshare ou outro site de hospedagem?

ana disse...

oops, usuário não existente!
posta lá na comunidade do powerpop ou aqui no blog se der, obg.