
Grupo paulista que chega ao terceiro disco em uma decisiva fase de transição, de letras em inglês para o português; do brit pop clássico para o guitar pop amplo. E foi também essa troca de língua que trouxe uma singularidade ao Starfish: seu vocalista-guitarrista Demys Schneider é alemão, o que acaba dando um toque original às canções com seu sotaque peculiar. E dá até um certo prazer ver a lógica da língua imperialista subvertida... Completam o quarteto Angelo Bijelli (guitarra/vocal), Néo (baixo) e André Semeone (bateria).
Abrindo o disco “Por Mais Que” já mostra um Demys dominando os fonemas do português para encaixá-los com perfeição na lógica do pop gringo, mas, claro, no final ele não se agüenta e solta umas frases em bom inglês – tão bom que eu quase pensei que era Pixies... Confissões amorosas em tom reflexivo, mas entrecortadas por guitarras flamejantes e batida invocada nos requebros. A recepção de ‘uh-uh-uh-uhs’ de “Não Volta Mais” é um bom prenúncio para belos acordes, melodia clássica e distorção no talo. Em “Geração”, guitarras plugadas e desplugadas fazem a tabelinha entrosada até o refrão colante de alto potencial radiofônico “essa é a minha geração/essa é a nossa canção/eu digo olá pra todo mundo” – mas aqui cantada por Bijelli.
Nesse ponto a consistência sônica em 2007 está clara: a potência das guitarras não deixa o traquejo melódico se perder; a massa sonora é harmônica e contundente – o pop pode não ser tão inofensivo quanto pode parecer. “Memórias” ameniza a pegada, traz um piano/teclado emoldurando a melodia grandiosa e refrão perfeito: agora você simplesmente quer mais Starfish100. Cristalino é o sotaque de Demys na semi-acústica “Boas Estórias”, que entremeia algo de pop brasileiro – a primeira parte parece estruturada para o português - com britânico. A levada psicodélica passeia livre em “Nenhum Lugar” sobre bases pesadas de rock setentista que podem lembrar algumas bandas lisérgicas gaúchas – e onde Bijelli assume novamente os vocais principais.
“Problemas” sobrepõe os violões com forte riff de guitarra que remete à fase fuzz do Teenage Fanclub. Só não canto junto no refrão porque, pela primeira vez, não entendo o português de Demys. Depois seguem-se faixas em inglês retiradas de seus dois primeiros álbuns, Starfish100 e Defaced: “Far Away” – o grande clássico do Starfish100 (e uma mescla perfeita de Stone Roses+Teenage Fanclub+Oasis), “Fish Tatoo”, “Untrue” e “Slow Motion”. Que servem para se perceber o quanto o Starfish100 permanece sólido na sua bagagem musical, como seu domínio sobre o pop de guitarras evoluiu e como, nesse contexto, um sotaque alemão pode fazer toda a diferença.
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