domingo, 11 de maio de 2008

"Memories Of The Never Happened": ROCKFOUR!

Não há que se estranhar a procedência do Rockfour: além do rápido processo de “mundialização cultural” que conhecemos nos últimos anos, Israel sempre teve estreitos laços com a parte ocidental do planeta. Por isso, o quarteto de Telavive, ambiciona voar para além das fronteiras com seu rock ao mesmo tempo melódico, denso e climático. Memories Of The Never Happened - quinto álbum dos israelenses – foi gravado em San Diego e contou com ajuda de músicos como Mike Kamoo do Stereotypes e Andrew Chojnacki do Peachfuzz.

Baruch Ben-Izhak, Marc Lazare, Issar Tennenbaum e Yaki Gani, usam suas habilidades para preparar épicos baseados na herança de Beatles, Byrds e Pink Floyd, e que podem trafegar pelas mesmas vias do Grandaddy. O grande desafio do álbum pareceu ter sido harmonizar a rispidez do rock, com paisagens sonoras inebriantes sem nunca perder a característica pop da canção. E eles conseguiram.

A instrumental “Glued” abre o disco e já congela o ouvinte na solidão do espaço sideral. A força inercial paralisante é quebrada de sopetão pela energia solar de “Half & Half”. Os dedilhados brilhantes de guitarra e a voz macia de Ben-Izhak auxiliam na viagem orbital pela ionosfera em “Because Of Damaging Words”. A batida quebrada, a sonoridade indefectível das doze cordas climatizadas pelo teclado vintage e sobrevoados pelas harmonias vocais dão o tom de “No Worries”. “Old Village House” passeia pela melancolia lisérgica e “Dear Truth” viaja pelo pop psicodélico.

Definitivamente Memories... é um álbum onde a densidade das canções impressiona. É fácil perceber e sentir que as vibrações sonoras aqui sempre podem te carregar a algum lugar, seja os confins obscuros do universo ou a compartimentos secretos da sua consciência. Ou simplesmente ao centro do salão para chacoalhar com o hit pop “It Ain’t Easy (When You’re Gone)”. “Young Believer” presenteia com belíssimo e emocionante refrão – “In june I’ll be tired so I’ll take longer coffee breaks/sweets keep’em smiling when their love is sugarless”. Quase sete minutos de reflexões, ruídos e coros vocais querubínicos na elevação melódica de “Corridors”. Encerra o disco a delicadeza viajante de “Lady Jette”, no que poderia ser, além da síntese sônica do álbum, um mix perfeito da diversidade sensorial do velho Pink Floyd com o proficiência pop do mestre George Harrison.

www.rockfour.com
www.myspace.com/rockfour

Um comentário:

natália disse...

hey paolo. te enviei um email... dê uma olhada quando puder!