segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Da série CLÁSSICOS: "Bright Yellow Sun" - THE TUNES!

Por Daniel Arêas

Felizmente, espalhados pelo mundo há um sem-número de artistas e bandas que ainda conservam e exercitam os princípios originais do pop. Não têm qualquer pretensão maior do que pôr um sorriso no rosto do ouvinte (sem lhe oferecer qualquer dificuldade pra isso) e lhe proporcionar uma sensação de prazer e bem-estar. E essa (aparente) singeleza de propósitos não apenas rende bons e ótimos álbuns, mas muitas vezes verdadeiras obras-primas. É o caso de Bright Yellow Sun, disco de estréia da banda finlandesa The Tunes. Um dos melhores discos de power pop dos últimos tempos, e por isso com muita justiça abre a série “Clássicos” do PPS.

E a influência que os mestres do gênero exercem sobre essas bandas pode vir de diversas formas. Bright Yellow Sun começou a ser idealizado quando Rikki London (ex-baixista de artistas como Johnny Thunders e Sky Saxon) soube da morte de um grande ídolo seu: George Harrison. Fez um show-tributo ao falecido beatle com 12 dos melhores músicos da cena pop de Helsinki, mas gostou tanto da experiência que resolveu formar o The Tunes com alguns dos participantes daquela homenagem: Knipi (guitarra e vocais), Heikki Tikka (bateria e vocais) e Markus Nordenstreng (guitarra, teclados, vocais).

Já no título de seu álbum de estréia, The Tunes explicita suas intenções com essas 11 ensolaradas pérolas pop: trazer um pouco de iluminação e alegria a quem as ouve. Atinge seu objetivo com louvor, e as palavras de Rikki no site da banda definem tudo: “a idéia desde o início era apenas nos divertir, fazendo as melhores canções que pudéssemos”. Bright Yellow Sun foi sendo gestado durante três anos, com a banda e diversos colaboradores constantemente adicionando novos elementos às canções. E evidentemente, o prazer e a espontaneidade com que foi criado são transmitidos integralmente ao ouvinte.

“The Tunes Theme” abre o disco como um perfeito cartão de visitas: a fusão do pop típico dos Beatles com a energia das guitarras resulta numa canção que caberia perfeitamente nos melhores discos do Big Star ou Cheap Trick. Logo depois, vem “Valerie” (que chegou a fazer um relativo sucesso em Helsinki) com sua empolgante levada que evoca Kinks, até desembocar no poderoso refrão. A bela “Come Around” evidencia a influência do típico folk-rock americano no álbum. “Spoonful Lovin’” (que apresenta Markus tocando ukelele) traz sublimes harmonias vocais que remetem a bandas como Beach Boys e Hollies. A seguir, os Fab Four voltam a ser a principal referência da doce e esperançosa “Busdriver”, linda canção, de refrão irresistível. “Season of the Midnight Sun” é canção contagiante, de espírito inequivocamente californiano, alegre, otimista. É daquelas canções que são capazes de mudar o humor de quem a ouve. Mesmos propósitos guiam “Summer Day”, canção cujo título já explicita a influência dos geniais Beach Boys.

As harmonias vocais e o folk-rock típicos dos primeiros discos dos fundamentais Byrds reaparecem nas três canções seguintes.“Don’t You Fall In Love” vem embalada pela Rickenbacker de 12 cordas, e é ainda (mais) embelezada pelo órgão Hammond tocado por Pekka Gröhn (uma das várias colaboradoras, com grande participação no álbum). O mesmo acontece a seguir, na belíssima “See You Tomorrow”: levada típica dos Byrds, novamente valorizada pela presença do Hammond de Pekka Gröhn. A essa altura estamos perto do fim do álbum e a qualidade e o brilho perene das canções não são sequer arranhados. “Talk To Me” entra em seguida mantendo o (alto) nível e deverá agradar em cheio aos fãs do Primary 5. A climática faixa-título fecha o álbum, com direito a sons de pássaros cantando no fim da canção.

Em termos de sentimento, espírito, após a audição de Bright Yellow Sun, o ouvinte não é o mesmo. Sorte nossa que ainda existam inúmeras bandas e artistas que ainda acreditam e perseguem os propósitos e princípios fundamentais do pop. O que faz os Tunes se sobressaírem é que seu álbum de estréia já pode ser considerado um clássico, e não se trata (apenas) de dizer que é a trilha sonora ideal para os nossos verões. Mais: é aquele facho de luz, o sol aparecendo por entre as nuvens, de que tanto precisamos naqueles inevitáveis dias cinzentos.

www.grandpop.net/tunes.html
www.myspace.com/tunestheband

5 comentários:

dbareas disse...

Vale a pena visitar o site dos Tunes (link logo abaixo do texto), porque ele traz um interessante making of do disco, escrito por Rikki London, uma espécie de diário. Ele oferece uma interessante perspectiva para quem lê, de como se cria uma obra de arte. Para Rikki, o "marco zero" da criação de Bright Yellow Sun é 30 de novembro de 2001 - o dia em que ele soube da morte de George Harrison - e o ponto final é 2 de fevereiro de 2005 - quando o disco foi lançado.
Nesse "diário", Rikki conta cada detalhe da criação do álbum: a composição das músicas, as inúmeras colaborações (que envolveram desde a composição até a produção das faixas, passando pelos arranjos) e os longos períodos de incerteza quanto ao futuro do álbum (porque todos os membros da banda e colaboradores tinham outros projetos).

dbareas disse...

Quem ouvir Bright Yellow Sun ficará impressionado pela inspiração das composições, mas vale ficar atento aos arranjos - todas as músicas têm detalhes que podem passar despercebidos numa primeira audição. Eles não foram melhor explicitados na resenha por pura falta de espaço; portanto, mais um motivo para visitar o site deles.

Reinaldo disse...

Ae, saiu, heim!? hehehehe... pô, ficou ótima a "resenha". O Daniel sabe que "clássicos" (ou os que soam clássicos) não me empolgam tanto (não explico), mas ainda aguardo o link do álbum pra conferir!

Parabéns ao Paolo pela "contratação" do Daniel! hehehehe... teram ótimas resenhas e indicações.

Boa sorte!
Abraços...

PS: Aliás, acho que nunca disse por aqui, justiça seja feita, o Daniel quem me indicou o blog!

Paolo Miléa disse...

Reinaldo, na verdade o "Bright Yellow Sun" não tem nada de 'clássico', se vc aplicar a visão tradicional. Ele é um 'clássico' no sentido de estar entre os melhores da década dentro do power pop. Confere o som e depois me diz.

Pois é, a fidelidade ao PPS aliado ao conhecimento musical, trouxeram o Daniel quase que naturalmente. Ganhamos todos!

Abs!

dbareas disse...

Reinaldo, desculpa cara, só vi teu comentário agora !! Valeu pela força e - claro - apareça sempre por aqui !!

Reinaldo tbm é um adepto do power pop, basta dizer q uma das bandas prediletas dele é o Primary 5.

e o The Tunes é clássico, mas o disco foi lançado em 2005. Lê a resenha do Paolo sobre os Goldbergs e vc vai entender melhor. E é vero, ainda te devo o disco...

Abração !!