quinta-feira, 2 de julho de 2009

"Makes Your Ears Smile": THE CAMPBELL STOKES SUNSHINE RECORDER!

“Eu sou muito desleixado para o power pop / porque eu nunca sei quando parar / e todas as minhas progressões de acordes soam iguais...”. Quem ouve tais frases, aqui em tom de confissão, sem saber quem está por trás delas, poderia acreditar. Elas abrem o disco do projeto solo de Andy Morten, líder do extinto Bronco Bullfrog, e só podem parecer ironia. Porque Andy e seu Bullfrog trouxeram alguns dos melhores álbuns da história recente do power pop; e algumas da mais inspiradas canções – que se baseavam no mix da energia primária e juvenil do The Who com o melodicismo pop e universal dos Beatles.

Makes Your Ears Smile - além de resumir em quatro palavras as intenções mais profundas de Morten – traz de volta o espírito e as estruturas das canções pop perfeitas do Bronco. Como se depois de tantos anos o The Campbell Stokes Sunshine Recorder encarnasse uma versão mais depurada, leve e pessoal da ex-banda de Andy. Que não deixou de existir por brigas ou divergências de seus membros. Mas simplesmente porque a dinâmica da vida assim exigiu: novos trabalhos (já que a banda nunca foi um ganha-pão); casamentos, filhos, mudanças para cidades diferentes.

E o próprio Morten diz isso na faixa de abertura “Track One” quando afirma que “está muito atarefado para ter uma banda”. Mas não deixou que sua paixão pela música fosse sufocada por isso. Assim, fez do seu jeito: compôs, gravou, produziu, mixou, cantou e tocou os instrumentos, no conforto de sua casa. Lançou pela própria gravadora – Jacko The Green - e deu novo alento aos fãs do Bronco Bullfrog com um álbum inspiradíssimo, de canções simples e melodias ultra-ganchudas. Como a já citada “Track One”: tom confessional, altamente pessoal e autoexplicativa “essa é a primeira faixa do meu álbum”... e que já cola de cara no cérebro do ouvinte, pedindo, sem cerimônia, um lugar na sua memória afetiva.

É sim a mesma voz doce de Morten; tem sim muitas progressões de acordes já usadas e estruturas de canção com verso-refrão-verso-ponte-refrão. Mas afinal de contas, de que precisamos se não dessas mesmas sensações para fazer do mundo um lugar melhor? E é por isso que o sol parece mais brilhante, o céu profundamente mais azul e a brisa do mar muito mais refrescante quando “She Looks Good In The Sun” invade o ambiente, com sua melodia adorável e seus macios ‘pa-pa-pas’. Na divertida e doce “Tony Hazzard” - onde Andy é Hazzard (compositor inglês por trás de muitos sucessos de grupos sessentistas) ele entoa: “todo mundo vai cantar minhas canções e meus discos serão número um (nas paradas)” – obviamente traduz o sonho de um compositor pop de talento como Morten (e que sabiamente soube não transformá-lo numa obsessão compulsiva), além da homenagem a um nome que nunca apareceu sob os holofotes.

“Bye Bye Mrs Bumble” segue a linha do ex-grupo de Andy, com melodia cativante, harmonias vocais perfeitas e várias passagens que criam um forte clima emocional. Guitarras psicodélicas abrem “Everybody Loves The Good Times”, que soa como uma colagem de fragmentos de várias canções diferentes. Mais uma canção contagiosa e colante: “Feel The Sunshine” – Morten sabe exatamente quais botões apertar para fazer o power pop mais infeccioso do planeta. “Olivia’s Plaything” poderia fácil estar no último disco do Primary 5, no violão com clima de raiz e carisma pop.

“TV Jingle Man” aproveita suas guitarras jingle-jangle para colar uma parte de “So You Want To Be A Rock ’N’ Roll Star”, clássico dos Byrds e “You Can Make Me Smile” traz um dos refrões mais bonitos do ano – especialidade de Andy Morten. Encerra o álbum a balada acústica “No Name # 7”, e o sorriso estará estampado, não só nos ouvidos, mas no fundo do seu coração.

www.myspace.com/campbellstokessunshinerecorder

2 comentários:

dbareas disse...

Eu considero Andy Morten um compositor genial. Só de pensar que no Bronco ele fez praticamente tudo...

"She Looks Good in the Sun" e "Olivia Plaything" estão de cara entre as melhores músicas do ano.

dbareas disse...

E mesmo quando as letras são irônicas, a suavidade da voz do Andy sempre remete à melancolia dos temas do Bronco...

pelo menos essa é a minha sensação.